30 de agosto de 2007

Aprender esperanto!?por quê não rapaiz?





Jaromir Babitchka


ANA > Hoje "muita" gente do meio libertário considera o Esperanto umdefunto, ou uma coisa exótica. Eu ouvi um compa, que participou doúltimo Congresso da Internacional de Federações Anarquistas na França,dizer que lá tinha gente de tudo que é canto do mundo, gente queconseguia se comunicar em 4 ou 5 línguas, mas nada de Esperanto. Aliás,eu desconheço algum congresso anarquista onde a língua "oficial" doencontro tenha sido o Esperanto. Você sabe de algum? Outra coisa, o quevocê acha desse "jeitinho libertário" das pessoas aqui no Brasil secomunicarem no "portunhol"? René <>É baseado neste emaranhado de siglas que
decidimos não nos precipitar. Temos que ser representativos ao criarmos
um tipo de organização dessa. Senão ela perde seu significado.

ANA > Há tempos você vem divulgando o esperanto no meio anarquista.
Nesse trajeto, qual a sua avaliação? Você nota alguma mudança?
René < Não tem um meio em particular que eu mais divulgo o esperanto.
São em todos lugares: escolas, trabalho, grupos em geral. No meio
anarquista é conseqüência, pois estou neste meio. Acho muito pertinente
que se use o esperanto como uma forma de internacionalização da
comunicação e forma de resistência a hegemonia lingüística, que destroem
culturas. No caso o inglês, e daqui a pouco o chinês. Nessa trajetória,
vejo que muito poucos anarcos têm compreendido esta mensagem. Preferem
gastar milhares de reais e horas de estudo para aprender um pouco (veja
bem, UM POUCO) da língua de Shake speare ao invés de gastar muito menos
para aprender MUITO MAIS na língua de Zamenhof. Isso é bem a cara
daqueles que preferem a cômoda situação de se dizerem anarquistas ao
invés de por em prática seus ideais. Este comodismo está muito bem
colocado no dois primeiros artigos da revista Utopia #17 e em "As
Comunidades Experimentais como Alternativa ao Capitalismo" Utopia #16.
Há algum tempo poderíamos até justificar que tínhamos que lutar contra
ditaduras, etc e tal. Mas hoje, não vejo motivo de cada um, mesmo sem o
capital, se lançar em projetos pela base. Estes indivíduos ainda
preferem o discurso ao invés da pratica.

ANA > Hoje "muita" gente do meio libertário considera o Esperanto um
defunto, ou uma coisa exótica. Eu ouvi um compa, que participou do
último Congresso da Internacional de Federações Anarquistas na França,
dizer que lá tinha gente de tudo que é canto do mundo, gente que
conseguia se comunicar em 4 ou 5 línguas, mas nada de Esperanto. Aliás,
eu desconheço algum congresso anarquista onde a língua "oficial" do
encontro tenha sido o Esperanto. Você sabe de algum? Outra coisa, o que
você acha desse "jeitinho libertário" das pessoas aqui no Brasil se
comunicarem no "portunhol"? René < Acho que você já recebeu mensagens
minhas mostrando o quanto pode ser útil e o quanto o Esperanto tem
crescido, principalmente pelo advento da int ernet. Faça uma busca no
google.com e verá o quanto ele existe. Como eu disse acima, temos medo
de ousar. O Esperanto não é uma das minhas bandeiras de luta numero um.
No entanto, quando vou a uma escola, vejo a enorme quantidade de
dinheiro gasto para ensinar "ingrês" ou espanhol, e um resultado
insignificante, fico pensando: estamos vivendo uma neurose lingüística.
Nós, anarquistas, somos vítimas e contribuímos para aumentar essa
neurose e nem percebemos. O poder da palavra, e conseqüentemente de uma
língua é enorme, e o desprezamos. Criamos uma elite anarquista que teve
o privilégio de aprender 4 ou 5 idiomas, e por isso nem conseguem mais
fazer uma crítica a este sistema elitista excludente que é o problema
das línguas. Quanto à língua "oficial" ser o Esperanto posso dizer o
seguinte. Dentro do mundo esperantista existe a SAT (Associação
Anacionalista Mundial), que é um tipo de organização das organizações de
esquerda dentro do Esperanto. Nela existe ainda as suas "Fakoj" (seçõ
es), entre elas a anarquista. No congresso da "Fako" anarquista, a
língua oficial é o Esperanto. Já ouve inclusive aqui no Brasil. Aí algum
oportunista me diria: mas isso é uma forma excludente, pois tem poucos
anarco-esperantistas. Eu também acho. Mas acho tanto excludente e
elitista quanto o congresso anarquista na França. Sou um crítico desse
tipo de coisas. Já fui em pelo menos dois congressos "internacionais" em
que o jeitinho era o portunhol. Eficientes para nós, latino-americanos.
Agora quando entra gente da Ásia, Leste-europeu, etc, pronto, "A Torre
de Babel" está formada. Você já foi em algum congresso internacional em
que haviam pessoas de todos os continentes em um bom número? Se foi
notará um predomínio das falas daquelas pessoas cujas suas línguas
maternas é o inglês. Começa aí a exclusão. Mas eu também já fui em 2
"Internacionais" que era mais fácil se chamar de, com muita boa vontade,
americano com participação de 3 indivíduos de Portugal e Espanha.
Existem crítica s ao Esperanto e eu as reconheço. Contudo, ainda é a
melhor solução para o problema das línguas. Aqueles que quiserem dar uma
bisbilhotada e meter a mão-na-massa, podem começar por: www.lernu.net
(mais de 6500 usuários de todo o mundo. Há possibilidade de se
conversar ao vivo) ou www.anarkopagina.org/esperanto






Um prisioneiro político - só por causa do Esperanto

Jaromir Babitchka acaba de festejar seus noventa anos de idade. Ele permaneceu fiel aos ideais do Esperanto e à ferrovia durante toda a vida, embora justamente essa fidelidade ao Esperanto e ao internacionalismo transformaram-no em um "espião" e ele foi preso nas condições mais terríveis do campo de concentração comunista de Jachymov (Rep. Tcheca). Stanjo e Petro Chrdle entrevistaram-no para a revista Sennaciulo (n. 1123, Jan./99), da Associação Mundial Sem-Nacionalidade (SAT). Tradução do esperanto para o português feita pelo Kultura Centro de Esperanto-Campinas.
Stanjo: Quando e como você tomou contato com o Esperanto?
Babitchka: Quando eu era vice-chefe da estação ferroviária de Podmokly (atual Decin), um francês procurava um tcheco e me mostrou uma carta escrita numa língua desconhecida. Isso foi em 1945, depois da guerra. Eu me admirei: o francês eu sabia, mas não era aquela língua - embora eu compreendesse um pouco do conteúdo. Depois de saber que se tratava da língua internacional Esperanto, eu a aprendi rapidamente. Um ano depois eu já comecei a ensiná-la e fundei um clube de Esperanto para ferroviários locais, o "Sempre Avante".
Petro: Todos sabemos que você foi acusado de atividades contra o regime socialista. Mas como foi expressa efetivamente a acusação? Quando e como você foi informado?
Babitchka: A citação do parágrafo foi concisa: espionagem para o ocidente por meio de palavras codificadas em cartas em Esperanto e traição à pátria. Isso aconteceu em setembro de 1953, durante meu tratamento na estação hidromineral de Marianske Lazne. Ao voltar de um passeio, estavam me aguardando dois policiais civis e sem nenhuma explicação me conduziram para a prisão de Litomerice, onde fui interrogado diariamente durante quatro meses, até o fim do julgamento. Como eu foram presos também alguns dos meus alunos, que "receberam" alguns anos a menos na condenação.
Stanjo: De quanto em quanto tempo você podia ter contato com sua família? Você podia visitá-los, ou pelo menos receber a visita deles?
Babitchka: Sair para visitar a família era impossível. O direito de receber a visita de um parente era para uma vez a cada dois meses, por dez minutos, através de uma cortina de ferro, sob o olhar de um guarda - isso com a condição de que nesses dois meses a conduta tivesse sido irrepreensível. Eu mesmo consegui receber a permissão duas vezes durante toda a minha estada lá.
Stanjo: Quando você conseguiu reverter a condenação e se libertar, em outras palavras, quanto tempo você teve que sofrer?
Babitchka: Depois do veredito do tribunal, meu advogado me aconselhou não apelar, porque ele acreditava ser um desperdício de dinheiro e de tempo. Ele prometeu pegar o caso no momento em que a pressão política fosse menos intensa. E ele realmente fez isso em 1956, depois do fim do culto à personalidade de Stalin. Então em fevereiro de 1957 eu fui solto e dois meses depois declarado inocente desde o começo. Não recebi, porém, qualquer indenização e não pude encontrar trabalho. Mas isso já é outra história.
Petro: Eu sei, de outras conversas com você, que voce não gosta muito de se relembrar desses anos e nós entendemos bem o porquê. Mas você poderia descrever aos leitores um típico dia de trabalho na prisão?
Babitchka: Nós trabalhávamos muito nas minas de urânio de Jachymov, oito horas por dia, em três turnos. Da nossa prisão nós éramos conduzidos em um pelotão fechado em filas de 7 pessoas cada, tão apertado que só se podia dar um passo todos ao mesmo tempo; cercados com uma corrente, que precisavam segurar os que estavam nas laterais, e ainda à nossa volta iam guardas com cães. Nós éramos os prisioneiros mais perigosos! Nas minas profundas nós trabalhávamos pesado em um calorão. Ao sair das minas nós tínhamos que esperar bastante tempo a chegada de guardas para sermos escoltados de volta, às vezes por horas, principalmente se tudo estava congelado.
Stanjo: Você ainda pode se lembrar do que recebiam para comer?
Babitchka: Quanto à comida o mais terível foi no período do inquérito, quando era quase nenhuma e ainda mal podia se comer. No trabalho das minas nós recebíamos já um pouco mais. Além disso nós podíamos comer mais pão, e por boa conduta podíamos até comprar waffles. Ficava claro que nós precisávamos estar fortes. Nem sempre, mas de vez em quando nós recebíamos até carne.
Petro: Você pode se lembrar de um acontecimento que tenha sido especialmente desagradável e pelo menos uma boa experiência vivida no campo de concentração?
Babitchka: Meu primeiro Natal em Jachymov foi incrível. Indo à latrina eu não prestei atenção, por causa da neve, a um guarda e não o cumprimentei. Vei o castigo: quatro dias na solitária. Fui jogado numa cela com janela de grade sem vidro, pela qual nevava dentro da cela e congelava tudo. Antes de entrar, eu tive que tirar os sapatos e fiquei descalço. Dentro havia um beliche, sem cobertor. Para comer eu recebia um pedacinho de pão para o dia todo e uma jarra de agua morna. Dois dias eu consegui andar e me movimentar para não morrer congelado, até que eu tive a coragem de berrar que eu precisava de um médico. O guarda me desaconselhou dizendo que haveria condições ainda piores como um novo castigo. Mas eu insisti e fui levado ao médico, que me permitiu receber um cobertor. Fui levado ao almoxarifado onde havia uma pilha de cobertores que ia até o teto. Eu percebi que um era mais grosso e o escolhi. Isso provavelmente salvou a minha vida, porque eram dois cobertores dobrados como se fossem um e eu até me aventurei a dormir e não morri.
A melhor experiência? Quando nós soubemos, através de novos presos, que na Hungria começara uma contra-revolução e que os stalinistas seriam provavelmente afastadados. Logo nós sentimos um comportamento mais humano, até um dia quando fui chamado ao escritório e me anunciaram que eu estava livre para voltar para casa. Eu não acreditei, achando que era mais uma brincadeira cruel, ao final da qual eles me atirariam como em um fugitivo, mas a notícia tornou-se verdade!
Stanjo: depois de tanto sofrimento que você passou por causa do Esperanto, você lamenta tê-lo aprendido?
Babitchka: Não. Pelo contrário, o Esperanto me trouxe um sentido à vida. Através dele eu conheci os melhores amigos e ele até salvou a minha mente naqueles quatro anos difíceis: nós podíamos emprestar um livro a cada dois meses para que vivêssemos com cultura nas barracas. Eu o lia sempre rápido e depois o traduzia às vezes em Esperanto, mesmo sem papel, só para exercitar o cérebro até receber um novo livro.
Nós o agradecemos muito por suas respostas e lhe desejamos (certamente também em nome dos leitores da Sennaciulo) saúde e alegrias ainda por muitos anos.
Nota: nem todos tiveram uma resistência tão boa e voltaram para casa... Todas as vítimas, mas também os verdadeiros criminosos que atormentaram presos políticos inocentes, são lembrados em um museu que será visitado na excursão "Jachymov" do 72. Congresso Anual da SAT em 1999, em Karlovy Vary. É do material informativo do Congresso que retiramos o texto de Stanjo Chrdle:
Jachymov - cidadezinha que ficou famosa algumas vezes
Jachymov (leia-se jahimof) é hoje uma cidadezinha tranqüila e uma bela estância hidromineral, mas séculos atrás foi uma importante cidade tcheca (a segunda maior), e ficou famosa mundialmente. Já na Idade Média existia lá uma rica mina de prata e na casa da moeda local surgiu o "tolar de Jachymov", que se tornou rapidamente uma unidade monetária adotada amplamente e que veio até a dar nome ao dólar, usado em muitos países, inclusive os EUA.
No século XIX a cidade se tornou mais uma vez mundialmente conhecida por sua rica jazida de urânio, da qual Marie Curie-Sklodowska com a ajuda de seu marido isolou o rádio e com isso deu início a uma nova época da tecnologia. Mas a existência do rádio teve também outras conseqüências que influenciaram a vida da cidade. Já em 1906 era usado o elemento rádio para tratamentos e é usado até hoje. Parece ter sido a primeira, mas certamente é hoje a mais conhecida.
O urânio trouxe também sombras à história da cidade. Por sua riqueza em urânio, depois da Segunda Guerra 100% dessa matéria-prima estratégica eram exportados para a União Soviética. Para o trabalho perigoso faltava mão de obra, então lá trabalhavam os prisioneiros de guerra e desde 1951 lá funcionou o mais mal-afamado campo de concentração da Tchecoslováquia. Em uma dezena de minas de urânio, sob condições sub-humanas, trabalharam e sofreram presos políticos até a queda do culto à personalidade de Stalin em 1956.
Os comunistas desde então eliminaram todos os rastros do campo de concentração, cuja existência era um tabu não mencionado até o ano de 1989. O campo está agora documentado e lembrado por um museu e monumentos que pedem que não nos esqueçamos.

15 de agosto de 2007

O DIY (faça voce mesmo)do prato!



http://www.youtube.com/watch?v=KwMGgAjxkNA




Pizza vegana

Ingredientes: 1 xic de água morna, 2 col. chá de óleo, 1 col. sopa açúcar, 1 col. sopa sal,
1 xic de farinha integral, 1,5 xic de farinha, 1 col sopa de fermento, alho, tofu,
pesto, orégano, pimenta, tomate, tomate seco, pimentão, cebola roxa, cogumelo.



Trufas

250 g (2 xícaras) de farelo de bolo
100 g (½ xícara) de alfarroba
2 cds de geléia
1 ou 2 cds de leite de soja quente
coco ralado ou farofa de nozes para cobertura
Dissolva a alfarroba no leite em fogo baixo. Coloque os fare­los de bolo numa tigela e faça um buraco no centro. Acrescente a geléia e a alfarroba. Mexa com um garfo, adicionando um pouco de leite até que todos os ingredientes se misturem. Com essa massa, forme pequenas bolas (2,5 cm de diâmetro). Passe-as no coco ralado ou farofa de nozes. Se quiser, coloque-as em forminhas de papel.

Mão a massa!

5 de agosto de 2007

Mero desabafo!


(Esperança demais cega!alias tudo que é demais perde seu sentido concreto!)
(?)

eternamente escravos!

Uma questão me responda por favor..
como se livrar desse mal que assola o inconciente social?como agir pelo prazer pelo sorriso aquecedor do próximo passar nossa mensagem de esperança sem que atirem-nos pedras nem riam de nossas caras desmerecendo nossos sonhos ,nos impedindo de respirar de falar,sem que calem nossas bocas,sem que espanquem-nos ,e nos acorrentem.sem que nos deixem nus perante nós mesmo?como?!!!!!

.

..outro dia veio um rapaz do nada me parou na rua para conversar e eu senti medo, achei q era assalto ou qualquer tipo de coisa parecida e nem dei atenção.depois me senti tão mal por isso...a ignorei fazendo aquilo que mais odeio de fato e que a sociedade me dá em troco por simplesmente querer me expressar tão simples....e fiz isso,fiz isso!!!!maldita contradição!mais nao tenho outra escolha a nao ser essa de sentir esse sentimento que é sim contra minha vontade devido ao lugar em que cresci e o bate-volta da tradição da lei da sobrevivencia ou assim- ou- assim.labirinto maldito que obriga a ação inconciente de ser tomada .queria abraçar aquela pessoa por sua humildade e puresa momentanea de simplesmente contar como foi seu dia pra alguem partilhar seu assunto,ve-la sorrir e talvez faze-la sorrir e mostrar exatamente o contrario a esse pensamento alienado que tive ,costumes e costumes e vicios por abitos.estou farta disso tudo.sim eternamente escravos dos papéis!papéis malditos papéis!


malditos vicios que formam entao uma personalidade,sim um ser completo,um babaca completo um mero

seguidor de papéis

inconciente ou nao,seguidor.

ééé....a liberdade custa caro!

pela libertação dos manicomios!

não somos loucos por pensar.loucos são eles ,por quererem comprar nossas mentes
porra!!!

3 de agosto de 2007

Um arrôto a arte

....Bem, a arte morreu, e agora? Vamos para casa?
Algumas possibilidades de transformação na arte e através da arte. O que é tão engraçado a respeito da Arte?A Arte foi gargalhada até a morte pelo dada? Ou talvez este sardonicídio se deu ainda antes, com a primeira performance do Ubu Rei? Ou com a gargalhada sarcástica de fantasma-da-ópera do Baudelaire, que tanto perturbava seus bons amigos burgueses?O que é engraçado a respeito da Arte (apesar de ser mais engraçado-peculiar do que engraçado-haha) é a visão do cadáver que se recusa a cair, este gincana de mortos-vivos, este teatro de marionetes macabro com todas as cordas ligadas ao Capital (um plutocrata inchado tipo Diego Rivera), este simulacro moribundo zumbizando freneticamente por aí, fingindo ser a única coisa viva de verdade em todo o Universo.Em face de uma ironia como esta, uma duplicidade tão extrema que chega a um abismo intransponível, qualquer poder de cura de uma gargalhada-na-arte tem que ser no mínimo tomado como suspeito, a propriedade ilusória de uma auto-proclamada elite ou pseudo-vanguarda. Para haver uma vanguarda genuína, a Arte deveria estar indo a algum lugar, e há muito tempo já que este não é o caso. Mencionamos Rivera; certamente nenhum outro artista político genuínamente engraçado chegou a pintar em nosso século - mas para que fim? Trotskysmo! A mais morta e sem saída das políticas do século XX! Sem poder de cura aqui - apenas o barulho oco da zombaria sem poder, ecoando através do abismo.Para curar, é preciso primeiro destruir - e a arte política que falha em destruir o alvo de seu riso acaba fortificando exatamente as forças que pretende atacar. "O que não me mata me deixa mais forte," diz com desprezo a figura suína em sua cartola brilhante (imitando Nietzsche, é claro, pobre Nietzsche, que tentou gargalhar todo o século dezenove até a morte, mas acabou como um cadáver vivo, cuja irmã lhe amarrou cordas em seus membros para fazê-lo dançar para os fascistas).Não há nada particularmente misterioso ou metafísico sobre o processo. As circunstâncias, a pobreza, certa vez forçaram Rivera a aceitar um trabalho para vir aos EUA e pintar um mural - para Rockfeller! - o próprio arquétipo máximo de leitão da Wall Street! Rivera fez de seu trabalho uma peça gritante de panfletagem comunista - e então Rockfeller a obliterou. Como se isto não fosse engraçado o bastante, a piada de verdade é que Rockfeller poderia ter saboreado a vitória ainda mais docemente sem destruir o trabalho, mas pagando por ele e o exibindo, transformando-o em Arte, esse parasita banguela da decoração de interiores, essa piada.O sonho do Romantismo: que a o mundo-realidade dos valores burgueses poderia de alguma maneira ser persuadido a consumir, a absorver, uma arte que à primeira vista se parecesse com todo o resto da arte (livros para ler, quadros para pendurar na parede, etc.), mas que secretamente infeccionaria a realidade com algo mais, algo que mudaria a maneira como é vista, viraria a mesa, colocaria no lugar os valores revolucionários da arte.Este também foi o sonho do surrealismo. Até mesmo o dada, apesar de seu descarado show de cinismo, ainda ousava ter esperanças. Do Romantismo ao Situacionismo, de Blake a 1968, o sonho de cada vitória sobre o ontem se tornou conversinha decorativa de cada amanhã - comprado, mastigado, reproduzido, vendido, consignado a museus, bibliotecas, universidades e outros mausoléus, esquecido, perdido, ressurecto, tornado em loucura nostálgica, reproduzido, vendido, etc., etc., ad nauseam.Para entender o quanto Cruikshank ou Daumier ou Grandville ou Rivera ou Tzara ou Duchamp destruíram a visão do mundo burguesa de seus tempos, é preciso se enterrar numa tempestade de referências históricas e se alucinar - já que de fato a destruição-pelo-riso foi um sucesso teóríco mas um fracasso na realidade - o peso morto da ilusão falhou em mover uma polegada com a gargalhada histérica, o ataque do riso. Não foi a sociedade burguesa que entrou em colapso no final, foi a arte.Á luz do trote que foi pregado em nós, é como se o artista contemporâneo fosse colocado entre duas escolhas (uma vez que o suicídio não é uma solução): um, seguir lançando ataque atrás de ataque, movimento atrás de movimento, na esperança de que um dia (logo) "a coisa" vai ficar tão fraca, tão vazia, que vai evaporar e nos deixar sozinhos no campo de batalha; ou dois, começar imediatamente agora a viver como se a batalha já estivesse vencida, como se hoje o artista já não fosse um tipo especial de pessoa, mas cada pessoa um tipo especial de artista (foi isto que os Situacionistas chamaram de "a supressão e realização da arte").Ambas estas opções são tão "impossíveis" que agir em qualquer uma delas seria uma piada. Não precisaríamos fazer arte "engraçada" por que apenas fazer arte seria engraçado o suficiente para soltar os intestinos. Mas pelo menos seria a nossa piada (quem pode dizer com certeza que falharíamos? "Eu amo não conhecer o futuro" - Nietzsche). Para que possamos começar a jogar este jogo, devemos provavelmente estabelecer certas regras para nós mesmos:

1. Não há questões. Não existe esse negócio de sexismo, fascismo, especismo, visualismo, ou nenhum outra "franquia de questão" que possa ser separada do complexo social e tratada com um "discurso" como um "problema". Há apenas a totalidade que divide todas estas "questões" ilusórias na completa falsidade de seu discurso, fazendo de todas as opiniões, prós e contras, em apenas bens-de-pensamento para serem compradas e vendidas. E esta totalidade é ela própria uma ilusão, um pesadelo maligno do qual estamos tentando (através da arte, do humor, ou de qualquer outro meio) despertar.


2. Tanto quanto possível, qualquer coisa que façamos deve ser feita fora da estrutura psíquica/econômica gerada pela totalidade como o espaço permissível para o jogo da arte. Como, você pergunta, nós ganharemos a vida sem galerias, agentes, museus, publicação comercial, a NEA* e outras agências em benefício das artes? Bem, ninguém precisa pedir pelo improvável. Mas ainda devemos exigir o "impossível" - ou então, por que catzo uma pessoa é artista?! Não é o suficiente ocupar um pedestal sagrado e especial chamado Arte de cima do qual se zomba da estupidez e injustiça do mundo "quadrado". A arte é parte do problema. O Mundo da Arte enfiou sua cabeça na própria bunda, e se faz necessário sair disto - ou então viver em uma paisagem cheia de merda.


3. Claro que se deve "ganhar a vida" de alguma maneira - mas o essencial aqui é viver. Seja o que for que fizermos, qualquer que seja a opção que escolhamos (talvez todas elas), o o quanto nos comprometamos, devemos orar para nunca confundir arte com vida: a Arte é breve, a Vida é longa. Devemos estar preparados para navegar, nomadizar, escorregar de todas as redes, nunca estabilizar, viver através de várias artes, fazer nossas vidas melhores que nossa arte, fazer da arte nosso grito no lugar de nossa desculpa.


4. O riso que cura (em oposição à gargalhada corrosiva e venenosa) pode apenas surgir de uma arte que é séria - séria, mas não sóbria. Morbidez sem sentido, niilismo cínico, tendências de frivolidade pós-moderna, resmungar/praguejar/reclamar/ (o culto liberal da "vítima"), exaustão, hiperconformidade irônica Baudrillardiana - nenhuma destas opções é séria o suficiente, e ao mesmo tempo nenhuma é intoxicada o bastante para servir aos nossos propósitos, muito menos para merecer o nosso riso.

Nota:* - National Endowment for the Arts, uma entidade governamental americana que financia as artes

27 de julho de 2007

trabalho??

"Todas as ideologias do capital fazem a apologia do trabalho, como a atividade mais importante, à qual tudo se subordina, a atividade essencial do homem. O homem é considerado não como tal, mas ´pelo que faz na vida`, o que, na sociedade capitalista, quer dizer ´profissão`, ´trabalho`. Tais ideologias se baseiam no sacrifício, na renúncia, na interiorização das emoções e dos sentimentos...
Ao trabalho corresponde o sacrifício e a este, a religião (incluída a religião capitalista de estado, do marxismo-leninismo), como tentativa de justificar a repressão dos desejos e prazeres humanos, para a maior glória da burguesia.
Os sacerdotes e mandarins de todas as ideologias - entre os quais a esquerda do capital, que enaltece as mãos calosas do proletariado e se vangloria da miséria alheia - oferecem dogmas e ilusões para todos os gostos, propondo ´uma sociedade futura`, onde - após a morte, certamente - os proletários terão a recompensa pelos sacrifícios e renúncias que fizeram, a partir do momento em que aceitaram a mais desigual das trocas: a troca da vida pela sobrevivência ."



"O trabalho é a negação da vida, da alegria e do prazer humano. O trabalho faz do homem um estranho para si mesmo, alienado da humanidade como um todo. O trabalho é a atividade humana subjugada às necessidades da classe dominante, que se apropria do sobreproduto obtido mediante a exploração das outras classes.
O capitalismo, ao separar os explorados de seus meios de vida e de produção, impôs a escravidão assalariada por toda a parte, reduzindo o homem à condição de trabalhador.
No trabalho, o proletário se vê completamente despojado de seu produto, alienado, negado em sua essência, em sua vida, em seus desejos... Além de desperdiçar seu suor, seu sangue e sua vida, numa atividade cujo absurdo só é menor do que o embrutecimento que acarreta, o trabalhador é separado dos demais homens, separado da espécie humana.
Somente na luta contra o trabalho, contra a atividade que estão forçados a executar e contra aqueles que os forçam, os proletários se reapropriam de sua condição humana. Com a generalização desta luta e a conseqüente negação da sociedade atual, avançam no sentido de uma sociedade comunista, na qual toda atividade humana estará voltada para a satisfação das necessidades humanas."


grupo

autonomia!

26 de julho de 2007

"Perspectivas da transformação consciente da vida cotidiana"(Guy debord)


(Esta exposição foi apresentada em 17 de maio de 1961 em fita magnética diante do Grupo de Investigações sobre a vida quotidiana, reunido por H. Lefebrve no Centre d'études sociologiques del C.N.R.S.. Foi publicado no número 6 de Internacionale Situationiste (agosto-1961). Tradução para o espanhol de Eduardo de Subrats - publicada no caderno descatalogado Textos situacionistas sobre arte e urbanismo (anagrama, 1973) e na internet pelo Archivo Situacionista Hispano. Traduzido do espanhol.)

Estudar a vida quotidiana seria uma empresa perfeitamente ridícula e, alem disso, condenada desde o princípio a perder de vista seu próprio objeto, se não propuser explicitamente o estudo da vida quotidiana para transformá-la.
A própria conferência, a exposição de determinadas considerações intelectuais diante de um auditório, como forma extremamente banal de relações humanas em um setor bastante amplo da sociedade, também se insere na crítica da vida quotidiana.
Os sociólogos, por exemplo, tendem a se separar da vida quotidiana e lançar paras as esferas chamadas superiores tudo que lhes acontece a cada instante. É o hábito, começando pelo de manejar certos conceitos profissionais - produzidos pela divisão do trabalho - que sob todas as suas formas mascara assim a realidade por trás das condições privilegiadas.
Por conseguinte, é oportuno mostrar que se deslocamos ligeiramente as fórmulas correntes descobrimos aqui mesmo a vida quotidiana. É claro que a difusão destas palavras mediante um toca-fitas não pretende precisamente ilustrar a integração das técnicas a esta vida quotidiana marginal ao mudo técnico, mas de aproveitar a ocasião mais simples para romper com as aparências de pseudocolaboração, de diálogo fictício, que se instituem entre o conferente "de corpo presente" e sues espectadores. Esta ligeira ruptura com um conforto pode servir para decidir na estrutura da crítica da vida quotidiana (crítica que de outro modo resultaria completamente abstrata) esta mesma conferência, como tanta outras disposições do emprego do tempo e das coisas, que a força de considerá-las "normais" já não se discernem; e que, fundamentalmente, nos condicionam. A propósito de um detalhe semelhante, como a propósito do conjunto mesmo da vida quotidiana, a modificação constitui sempre a condição necessária e suficiente para fazer aparecer experimentalmente o objeto de nosso estudo, cuja ausência o converteria em algo duvidoso; o objeto ao qual se não trata apenas de estudar, mas de modificar
Acabo de dizer que a realidade de um conjunto observável que se designaria pelo termo "vida quotidiana" corre o risco de ser hipotético para muitas pessoas. Com efeito, desde que se constituiu este grupo de investigação, o traço mais destacável não é evidentemente que ainda não haja descoberto nada, mas que desde o primeiro momento se tenha estabelecido a questão da própria existência da vida quotidiana; e não tenha deixado de aprofundar-se de sessão em sessão. A maioria das intervenções que até agora se puderam escutar nesta discussão procediam de pessoas nada convencidas de que a vida quotidiana exista, pois não a encontraram em nenhum lugar. Um grupo de investigação sobre a vida quotidiana, animado com semelhante espírito, é comparável em todos os seus aspectos a um grupo que partisse em busca do abominável homem das neves e cuja investigação poderia desembocar perfeitamente na conclusão de que na realidade não se tratava mais que de uma bufonada folclórica.
Entretanto, todo mundo está de acordo em que determinados gestos repetidos cada dia, como abrir as portas ou encher os vasos, são plenamente reais; mas estes gestos se encontram em um nível tão trivial da realidade que com razão se põe em dúvida seu possível interesse para justificar uma nova especialização da investigação sociológica. E certo número de sociólogos parecem pouco inclinados a imaginar outros aspectos da vida quotidiana a partir da definição proposta por Henri Lefebvre, isto é, "o que subsiste quando se subtrai do vivido todas as atividades especializadas". Aqui descobrimos que a maioria dos sociólogos - e já sabemos a satisfação que sentem em suas atividades especializadas, justamente, e o quanto de ordinário lhe consagram uma fé cega - a maioria dos sociólogos, digo, reconhecem atividades especializadas por doquier, e a vida quotidiana em nenhum lugar. A vida quotidiana se encontra sempre em outra parte, entre os outros, e em todo caso, entre as classes não-sociólogas da população. Alguém disse aqui que os trabalhadores constituíam um interessante objeto de estudo, por se tratarem de cobaias provavelmente inoculadas com esse vírus da vida quotidiana, pois não tendo acesso às atividades especializadas, tampouco podem viver outra coisa que a vida quotidiana. Esta maneira de pegar o povo em busca de um longínquo primitivismo do quotidiano, e sobretudo, esta complacência declarada e sem rodeios, esta ingênua arrogância de participar de uma cultura cuja categórica decadência, sua incapacidade radical de compreender o mundo que a produz ninguém pode ocultar, tudo isto não deixa de ser surpreendente.
Existe uma vontade manifesta de abrigar-se por baixo de uma formação do pensamento baseada na separação de domínios parcelares artificiais, a fim de recusar o conceito inútil, vulgar e nojento da "vida quotidiana". Semelhante conceito encobre um resíduo da realidade catalogada e classificada com o qual alguns não desejam enfrentar, pois constitui, ao mesmo tempo, o ponto de vista da totalidade e implicaria a necessidade de um juízo global, de uma política. Dir-se-ia que certos intelectuais se vangloriam assim de uma ilusória participação pessoal no setor dominante da sociedade, através da possessão de uma ou mais especializações culturais; isso os situa em primeiro plano, para se dar conta do ato seguido de que o conjunto desta cultura dominante está sensivelmente apoiado. Mas qualquer que seja o juízo que se pronuncie sobre a coerência dessa cultura ou sobre o interesse de seus aspectos, a alienação que ela impôs aos intelectuais em questão consiste em fazê-los crer, desde o céu dos sociólogos, que estes se encontram completamente fora dessa vida quotidiana de qualquer povo, ou situados num lugar por demais elevado na escala dos poderes humanos, como se estes mesmos não fossem igualmente pobres.
Não há dúvida de que as atividades especializadas têm uma existência; em uma época dada adquirem inclusive um uso geral que deve reconhecer-se sempre de uma forma desmistificada. A vida quotidiana não o é totalmente. Certamente, existe uma osmose entre esta e as atividades especializadas, e até o extremo que, desde determinado ponto de vista, nunca nos encontramos fora da vida quotidiana. Mas se se recorre à fácil imagem de uma representação espacial das atividades, a vida quotidiana deve se situar, além do mais, no centro de tudo. Cada projeto em parte e cada realização adquirem de novo nesta sua nova significação. A vida quotidiana é a medida de todas as coisas: do cumprimento ou melhor do descumprimento das relações humanas, do uso do tempo vivido, da busca da arte, da política revolucionária.
Não basta recordar que o tipo de velha imagem de Epinal científica do observador desinteressado é falaz em todos os casos. Deve-se sublinhar que a observação desinteressada ainda é menos factível aqui que em qualquer outro lugar. E a dificuldade inclusive de reconhecer um terreno da vida quotidiana não reside unicamente em que este constituiria o ponto de convergência de uma sociologia empírica e de uma elaboração conceitual, mas também no fato de que esse mesmo momento suporia a atualização de toda renovação revolucionária da cultura e da política.
A vida quotidiana não criticada implica neste momento a prolongação das formas atuais, profundamente degradadas, da cultura e da política, formas cuja crise extremamente avançada, sobretudo nos países modernos, se traduz em uma despolitização e em um neo-analfabetismo generalizado. Pelo contrário, a crítica radical, atuando sobre a vida quotidiana dada pode levar a uma superação da cultura e da política no sentido tradicional, isto é em um nível superior de intervenção na vida.
Não obstante, se dirá: Como podem existir pessoas que desprezam tão completa e imediatamente esta vida quotidiana, que para mim constitui a única vida real, mesmo quando essas pessoas não tem, apesar de tudo, nenhum interesse direto em fazê-lo? E por quê, se muitas dessas não são nada hostis a qualquer renovação do movimento revolucionário?
Creio que isso é devido ao fato de que a vida quotidiana está organizada dentro dos limites de uma pobreza escandalosa. E, sobretudo, porque essa pobreza da vida quotidiana não tem nada de acidental: é uma pobreza imposta em cada instante pela força e a violência de uma sociedade dividida em classes; uma pobreza historicamente organizada de acordo com as necessidades históricas da exploração. O uso da vida quotidiana, no sentido de um consumo do tempo vivido está condenado pelo reino da carência de tempo livre; e carência dos possíveis usos deste tempo livre.
Assim como a história de nossa época é a história da acumulação da industrialização, também o atraso da vida quotidiana, sua tendência ao imobilismo, são os produtos das leis e interesses que presidiram essa industrialização. Efetivamente, a vida quotidiana apresenta, até nossos dias, uma resistência ao histórico. Isso põe em questão, em primeiro lugar, ao histórico mesmo, enquanto herança e projeto de uma sociedade exploradora.
A pobreza extrema da organização consciente, da criatividade das pessoas na vida quotidiana, traduz a necessidade fundamental da inconsciência e da mistificação em uma sociedade exploradora, em uma sociedade de alienação.
Neste ponto, Henri Lefebvre aplicou extensamente o conceito de desenvolvimento desigual para caracterizar a vida quotidiana, desatada mas não desgarrada da historicidade, como um setor atrasado. Creio que inclusive pode-se qualificar este nível da vida quotidiana como setor colonizado. À escala da economia mundial se comprovou que o subdesenvolvimento e a colonização são dois fatores em mútua interação. Pois bem, tudo nos faz pensar que no nível da formação econômico-social, da praxis, vem a acontecer o mesmo.
A vida quotidiana, mistificada por todos os meios e controlada policialmente, é uma espécie de reserva para os bons selvagens que, sem sabê-lo, fazem marchar a sociedade moderna no compasso do rápido crescimento dos poderes técnicos e da expansão forçada de seu mercado. A história - isto é, a transformação do real - não se pode utilizar atualmente na vida quotidiana toda vez que o homem da vida quotidiana é o produto de uma história sobre a qual não tem nenhum controle. Evidentemente, é ele mesmo que faz esta história, mas não livremente.
A sociedade moderna está constituída por fragmentos especializados, mais ou menos intransmissíveis, e a vida quotidiana, de onde se corre o risco de estabelecer todas as questões de uma maneira unitária, é por isso mesmo o domínio da ignorância.
Através de sua produção industrial, esta sociedade usurpou todo sentido dos gestos do trabalho. E não existe nenhum modelo de conduta humana que conservou uma verdadeira atualidade no quotidiano.
Esta sociedade tende a atomizar as pessoas convertendo-as em consumidores isolados, e a impedir toda comunicação. A vida quotidiana se converte em vida privada, domínio da separação e do espetáculo.
Desse modo, a vida quotidiana se torna também a esfera da demissão dos especialistas. É daí, por exemplo, que alguns dos poucos indivíduos capazes de compreender a mais recente imagem científica do universo, se converte num estúpido e pondera amplamente as teorias artísticas de Alain Robbe-Grillet, ou melhor, manda petições ao presidente da república com a pretensão de desviar sua política. É a esfera do desarme, do reconhecimento da incapacidade de viver.
Por conseguinte, o subdesenvolvimento da vida quotidiana não pode se caracterizar somente a respeito a sua relativa incapacidade de integrar algumas técnicas. Este traço é um produto importante, mas ainda parcial, do conjunto da alienação quotidiana que se poderia definir como a incapacidade de inventar um técnica de libertação do quotidiano.
E de fato, existem muitas técnicas que modificam mais ou menos nitidamente certos aspectos da vida quotidiana: as artes domésticas, como já se disse aqui, mas também o telefone, a televisão, a gravação musical em discos, as viagens aéreas populares, etc. Estes elementos intervêm anarquicamente, ao acaso, sem que ninguém preveja nem suas conexões nem suas conseqüências. Mas não há dúvida de que, em seu conjunto, este movimento, que introduz certas técnicas no interior da vida quotidiana, e marcado em última instância pela racionalidade do capitalismo moderno burocratizado, adquire mais precisamente o sentido de uma limitação da independência e da criatividade das pessoas. Assim, as novas cidades de nossos dias demostram claramente a tendência totalitária que caracteriza a organização da vida pelo capitalismo moderno: nelas os indivíduos isolados (isolados geralmente na estrutura da célula familiar) contemplam como se reduz sua vida à pura trivialidade do repetitivo, diante da absorção obrigatória de um espetáculo igualmente repetitivo.
Devemos acreditar, por conseguinte, que a censura que as pessoas exercem sobre as questões relativas a sua própria vida quotidiana se explica pela consciência de sua insustentável miséria, e ao mesmo tempo, pela sensação, talvez inconfessa, mas inevitavelmente experimentada qualquer dia, de que todas as possibilidades verdadeiras, todos os desejos bloqueados pelo funcionamento da vida social, residiam precisamente nela, e de nenhum modo nas atividades ou distrações especializadas. Isto é, o conhecimento da riqueza profunda, da energia abandonada na vida quotidiana como miséria e como prisão; portanto, em um mesmo movimento nos leva a negar o problema.
Nestas condições, mascarar a questão política que estabelece a miséria da vida quotidiana significa mascarar a profundeza das reivindicações da riqueza possível desta vida; reivindicações que não levariam a nada menos que a reinventar a revolução. Se admitirá que elucidar uma política a este nível não é de modo algum contraditório com o fato de militar no Partido Socialista Unificado, por exemplo, ou de ler L’Humanité inocentemente.
Efetivamente, tudo depende do nível em que se coloca o seguinte problema: como se vive? Como alguém se satisfaz ou não se satisfaz? E isso sem se deixar influenciar nem por um único instante pelos diversos anúncios que pretendem nos persuadir de que se pode ser feliz graças à existência de Deus, do dentifrício Colgate ou do C.N.R.S.
Considero que o termo "crítica da vida quotidiana" também poderia ou deveria ser entendido com a seguinte inversão: a crítica que a vida quotidiana exercerá soberanamente a tudo o que lhes é exterior.
O problema do emprego dos meios técnicos, tanto na vida quotidiana como fora dela, não é nada mais que um problema político (e entre todos os meios técnicos utilizáveis, só se pôs em prática aqueles que foram autenticamente selecionados conforme o objetivo de conservar o domínio de uma classe). Quando se considera a hipótese de um futuro, tal como se admite na literatura de ficção científica, onde as aventuras interestrelares coexistiriam com um vida quotidiana conservada nesta terra sob a mesma indigência material e o mesmo moralismo arcaico, subentende-se com isso, exatamente, que continuaria existindo uma classe de dirigentes especializados mantendo a seu serviço as massas proletárias das fábricas e oficinas; e que as aventuras interestrelares não seriam nada mais que a empresa escolhida por estes dirigentes, a melhor maneira que teriam encontrado para desenvolver sua economia irracional, a consumação da atividade especializada.
Nos perguntam: a vida privada está privada de que? Muito simples: da vida, a vida está cruelmente ausente. A gente está privada de comunicação até os limites do possível; e de realização de si mesmo. Deveria-se dizer: privada de fazer pessoalmente sua própria história. As hipóteses que pretendem responder positivamente à questão sobre a natureza da privação não poderiam ser enunciadas, por conseguinte, senão sob a forma de projetos de enriquecimento; projeto de outro estilo de vida; em fim, de um estilo... Ou melhor, se se considera que a vida quotidiana se encontra nos limites entre o setor dominado e o setor não-dominado da vida, ou seja, no lugar do aleatório, será preciso chegar a substituir o gueto atual por alguns limites constantemente móveis; trabalhar permanentemente na organização de novas possibilidades.
A questão da intensidade do vivido se coloca atualmente, a propósito por exemplo do uso dos estupefacientes, nos termos em que a sociedade da alienação é capaz de colocar qualquer questão: nos termos do falso reconhecimento de um projeto falsificado, em termos de fixação e de petrificação. Também convêm recalcar até que ponto a imagem do amor elaborada e difundida nesta sociedade se assemelha com a droga. Nela, a paixão é reconhecida em primeiro como recusa de todas as demais paixões, mas só para trabalhá-la posteriormente, até que por fim já não se reencontre nada mais que nas compensações do espetáculo reinante. La Rochefaucauld escreveu: "O que freqüentemente nos impede de abandonar um único vício é que temos vários". Eis aqui uma constatação muito positiva se, descartando seus pressupostos moralistas, a colocamos sobre seus pés, como base descartando suas pressuposições das capacidades humanas.
Todos esses problemas estão na ordem do dia em uma época claramente dominada pela aparição do projeto - cujo porta-voz é a classe trabalhadora - de abolir toda a sociedade de classes e começar a história humana; e dominada, como colorário, pela encarniçada resistência a este projeto, pelos extravios e os fracassos deste projeto que se sucederam até nossos dias.
A crise atual da vida quotidiana se inscreve nas novas formas de crises do capitalismo, formas que seguem despercebidas por quem se obstina em calcular em função do vencimento clássico das próximas crises cíclicas da economia.
A desaparição de todos os antigos valores de todas as referências da comunicação anterior no capitalismo desenvolvido, e a impossibilidade de substituí-los por outros, quaisquer que sejam, sem conseguir previamente o domínio racional, tanto na vida quotidiana como em qualquer outro lugar, das novas forças industriais que cada vez mais escapam mais a nosso controle; estes fatos não só engendram a insatisfação quase oficial de nossa época, insatisfação particularmente aguda na juventude, mas ainda mais no movimento de autonegação da arte. A atividade artística sempre foi a única que prestou contas dos problemas clandestinos da vida quotidiana, mas de uma maneira oculta, deformada, parcialmente ilusória. Diante de nossos olhos existe já o testemunho de uma destruição de toda expressão artística: é arte moderna.
Se consideramos em toda sua extensão a crise da sociedade contemporânea, não parece que o tempo de ócio pode ser considerado ainda como uma negação do quotidiano. Se admitiu aqui a necessidade de "estudar o tempo perdido". Mas vejamos o movimento recente dessa idéia de tempo perdido. Para o capitalismo clássico, o tempo perdido é o tempo exterior à produção, à acumulação e à economia. A moral laica que se ensina nas escolas da burguesia implantou essa norma de vida. Entretanto por um ardil inesperado, o capitalismo moderno necessita acrescentar o consumo, "elevar o nível de vida" (se se quer lembrar que esta expressão carece rigorosamente de sentido). E dado que, ao mesmo tempo, as condições de produção, parcelarizada e cronometrada até um grau extremo, chegaram a ser completamente insustentáveis, a moral que já abriu passagem na publicidade, na propaganda e em as formas do espetáculo dominante, admite francamente que o tempo perdido é o tempo de trabalho, que já unicamente se justifica pelos diversos graus de lucro que procura, o qual permite comprar o repouso, o consumo, o tempo de ócio - ou seja, uma passividade quotidiana fabricada e controlada pelo capitalismo.
Se agora consideramos a facticidade das necessidades de consumo que altera de pés a cabeça e estimula incessantemente a indústria moderna - se se conhece o vazio do ócio e a impossibilidade do repouso -, podemos colocar a questão em termos mais realistas: Que não seria o tempo perdido? Dito de outro modo: O desenvolvimento da sociedade da abundância deveria desembocar na abundância de quê?
Evidentemente, isto pode servir como pedra de toque para muitos pontos de vistas. Por exemplo, num dos periódicos que dão mostra da inconsistência teórica dessas pessoas as quais se chama intelectuais de esquerda - me refiro ao France Observatour -, se anuncia algo assim como "O automóvel utilitário no assalto do socialismo", para encabeçar um artigo em que se diz que nestes tempos, os russos já perseguem individualmente um consumo privado de bens no estilo americano, começando naturalmente, pelos automóveis; quando lemos coisas deste estilo não podemos evitar a reflexão de que não é necessário ter assimilado depois de Hegel, toda a obra de Marx para advertir pelo menos que um socialismo que retrocede diante da invasão do mercado por automóveis utilitários não é de modo algum o socialismo pelo qual o movimento dos trabalhadores luta. Desse modo, a oposição contra a burocracia dirigente da Rússia não deve partir de uma análise qualquer de sua tática ou de seu dogmatismo, mas do princípio de que o sentido da vida dos indivíduos não tenha mudado realmente. E isto não é a obscura fatalidade da vida quotidiana destinada a permanecer sendo reacionária. É uma fatalidade imposta desde o exterior da vida quotidiana pela esfera reacionária dos dirigentes especializados, qualquer que seja a etiqueta sob a qual a planificam a miséria em todos os seus aspectos.
Por isso a despolitização atual de muitos dos antigos militantes da esquerda, seu abandono de uma certa alienação para cair nos braços de outra, a da vida privada, não tem o sentido de um retorno à privação como um refúgio contra as "responsabilidades da historicidade", mas sim o de um alheamento do setor político especializado, e por conseguinte sempre manipulado por outros; e a única responsabilidade que se assume verdadeiramente com isso é a de abandonar todas as responsabilidades a chefes incontrolados; é aí onde se burlou e se escamoteou o projeto comunista. Não se pode opor em bloco a vida privada à vida pública sem se perguntar: o que é vida privada? O que é vida pública? (pois a vida privada carrega os fatores de sua própria negação e superação, assim como a ação revolucionária coletiva pôde alimentar os fatores de sua degeneração). Mas do mesmo modo seria um erro fazer o balanço de uma alienação dos indivíduos na política revolucionária, quando do que se tratava era da alienação da política revolucionária. Dialetizar o problema da alienação, assinalar as possibilidades de alienação que constantemente aparecem no seio da mesma luta contra a alienação, tudo isso constitui uma tarefa legítima, mas devemos sublinhar ao mesmo tempo que semelhante tarefa deve ser levada a cabo no nível mais elevado da investigação (por exemplo, na filosofia da alienação em seu conjunto), e não no plano do estalinismo, cuja explicação, desgraçadamente, é mais grosseira.
Em nenhum lugar se superou ainda a civilização capitalista, apesar de que continua engendrando por força seus inimigos. A próxima ascensão do movimento revolucionário, radicalizado pela experiência das derrotas precedentes, deverá enriquecer seu programa reivindicativo até o nível dos poderes práticos da sociedade moderna, poderes que a partir do presente constituem virtualmente o nível dos poderes práticos da sociedade moderna, poderes que a partir do presente constituem virtualmente a base material que faltava às correntes do socialismo chamadas utópicas; esta próxima tentativa de contestação total do capitalismo saberá inventar e propor um uso distinto da vida quotidiana, e se apoiará imediatamente nas novas práticas quotidianas, em novos tipos de relações humanas (sem ignorar já que toda conservação no seio da organização revolucionária mesma das relações dominantes na sociedade existente conduz inevitavelmente à restauração, com diversas variantes, desta mesma sociedade).
Assim como antigamente a burguesia, em sua fase ascendente, teve que liquidar implacavelmente tudo que estava além da vida terrena (o céu, a eternidade), assim também o proletariado revolucionário - que jamais pode reconhecer um passado ou um modelo, a menos que deixe de existir como tal - deverá renunciar a tudo que exceda à vida quotidiana, Ou melhor , a tudo que pretende axcedê-la: o espetáculo, o gesto ou a frase "históricos", a "grandeza" dos dirigentes, o mistério das especializações, a "imortalidade" da arte e sua importância exterior à vida. O que quer dizer: renunciar a todos os subprodutos da eternidade que sobreviveram como armas do mundo dos dirigentes.
A revolução na vida quotidiana, na medida em que destrói sua atual resistência ao histórico (e a todo tipo de mudança), criará as condições que farão possível "a dominaçãos do presente sobre o passado", e nas quais a criatividade venderá a repetição. Deve-se esperar, portanto, que o lado da vida quotidiana expresso pelos conceitos da ambigüidade - mal-entendido, compromisso ou abuso - perca amplamente sua importância em proveito de seus contrários, a eleição consciente ou o risco.
A atual critica artística da linguagem, contemporânea desta metalinguagem das máquinas que não é outra coisa que a linguagem burocratizada da burocracia no poder, será superada então por formas superiores de comunicação. A noção presente de texto social decifrável deverá dar origem a novos procedimentos de escrita de tal texto social, seguindo a direção das investigações atuais de meus companheiros situacionistas sobre o urbanismo unitário e sobre o esboço de um comportamento experimental. A produção central de um trabalho industrial completamente transformado será a criação de novas configuração da vida quotidiana, a criação livre dos acontecimentos.
A crítica e a recriação perpétuas da totalidade da vida quotidiana, antes de que seja efetuada de uma forma natural por todos os homens, deve ser empreendida sob as condições da opressão total, e com o objetivo de arruinar tal opressão.
Entretanto, não é um movimento cultural de vanguarda quem pode cumprir semelhante programa, por maior que seja suas simpatias revolucionárias. E tampouco pode realizá-lo um partido revolucionário de molde tradicional, por muito que conceda um lugar primordial à crítica da cultura (entendendo este termo como o conjunto de instrumentos artísticos ou conceituais mediante os quais uma sociedade se explica a si mesma, estabelecendo objetivos para a vida). Uma e outra, esta cultura e esta política, já estão esgotadas, por isso não é de se estranhar que a maior parte das pessoas se sintam indiferentes a elas. A transformação revolucionária da vida quotidiana não está reservada a um futuro vago: o desenvolvimento do capitalismo e seus insustentáveis imperativos nos estabelece imediatamente, na medida em que sua alternativa não é outra senão a perpetuação da escravidão moderna; e esta transformação assinalará o fim de toda expressão artística unilateral e armazenada sob a forma de mercadoria, ao mesmo tempo que o fim de toda política especializada.
Esta será a tarefa de uma nova organização revolucionária; tarefa que começará a partir de sua própria formação.
Guy Debord, 1961

INTRUÇÕES PARA TOMAR AS ARMAS




Internacional Situacionista Publicado em Internationale Situationiste # 6 (1961). publicada em Panfletos y escritos de la I.S., Madrid, Fundamentos, 1976. (Traduzido do espanhol. )


Se existe algo que provoca riso quando se fala em revolução, evidentemente é porque o movimento revolucionário organizado desapareceu desde faz muito tempo dos países modernos, onde precisamente se concentram as possibilidades de um transformação decisiva da sociedade. Mas todo o resto é ainda muito mais irrisório, posto que se trata do existente, e das diversas formas de sua aceitação. O termo "revolucionário" está desprestigiado até o ponto de designar, como publicidade, as menores mudanças nos detalhes da produção, modificada sem cessar, das mercadorias, dado que em nenhum lugar estão ainda expressas as possibilidades de uma transformação central desejável. O projeto revolucionário de nossos dias aparece como acusado diante da história: é acusado de ter fracassado, de ter descambado numa nova alienação. Isto nos torna a constatar que a sociedade dominante soube se defender, em todos os níveis da realidade, muito melhor do que os revolucionários previam . Não é que a sociedade dominante se tornou mais aceitável. O que se passa é que se deve reinventar a revolução, isso é tudo.
Isso coloca um conjunto de problemas que deverão ser dominados teórica e praticamente nos próximos anos. Pode-se assinalar sumariamente alguns pontos sobre os quais é urgente chegar a um acordo.
Da tendência para um reagrupamento que se manifesta nesta época em diversas minorias do movimento dos trabalhadores na Europa, não podemos ficar mais que com a corrente mais radical, que atualmente se agrupa sobretudo em torno da consignia dos Conselhos de Trabalhadores. E não se deve perder de vista que elementos simplesmente confusionistas pretendem se colocar nesta confrontação (ver o acordo recentemente conseguido entre revistas filosófico-sociológicas "de esquerda", de diferentes países).
Os grupos que procuram criar uma organização revolucionária de novo tipo, encontram sua maior dificuldade na tarefa de estabelecer novas relações humanas no interior desta organização. É certo que a pressão onipresente da sociedade se exerce contra esse ensaio. Mas, com o defeito de alcançar isto por métodos que ainda devem ser experimentados, não podem sair da política especializada. A reivindicação de participação de todos surge da necessidade sine qua non da gestão da organização, e posteriormente da sociedade, realmente novas, no lugar de um desejo abstrato e moralizador. Os militantes, se já não são simples executores das decisões dos chefes do aparato, tem o perigo de serem reduzidos ainda ao papel de espectadores dos que entre eles estão mais qualificados na política concebida como especialização; e desse modo, reconstroem a relação de passividade do velho mundo.
A participação e a criatividade das pessoas dependem de um projeto coletivo que concerne explicitamente a todos os aspectos do vivido. É também o único caminho para "encher o saco do povo" fazendo aparecer o terrível contraste entre as possíveis construções da vida e os miseráveis aspectos do vivido. Sem a crítica da vida quotidiana, a organização revolucionária é um meio separado, assim como convencional, e finalmente passivo, como essas cidades turísticas que são o terreno especializado do ócios modernos. Alguns sociólogos, como Henri Raymond estudando a Palinuro, colocaram em evidência o mecanismo do espetáculo que recreia, sob a modalidade do jogo, as relações da sociedade global. Mas se felicitaram ingenuamente com a "multiplicidade de contatos humanos" , por exemplo, sem reconhecer que o aumento simplesmente quantitativo destes contatos os deixavam tão triviais e inautênticos como em todas as outras partes. Inclusive no grupo revolucionário mais anti-hierárquico e libertário, a comunicação entre as pessoas não está de nenhum modo assegurada por seu programa político comum. Os sociólogos são normalmente partidários de um reformismo da vida quotidiana, de organizar a compensação no tempo das férias. Mas o projeto revolucionário não pode aceitar a idéia clássica do jogo limitado no espaço, no tempo e na profundeza qualitativa. O do tipo de vida levado durante quarenta e nove semanas de trabalho, se apoiam numa ideologia polinésia de pacotilha, um pouco como a Revolução francesa se produziu sob as vestes da Roma republicana, ou como os revolucionários de hoje se vêem a eles mesmos , se definem, antes de tudo, enquanto ao que tem do papel de militante, no estilo bolchevique ou outro qualquer. A revolução da vida quotidiana não saberia extrair sua poesia do passado, mas unicamente do futuro.
Precisamente, na crítica da idéia marxista da extensão do tempo de ócio, há naturalmente uma justa correção desembocada pela experiência dos ócios vazios do capitalismo moderno: é certo que a liberdade plena de tempo necessita antes de tudo a transformação do trabalho e a apropriação desse trabalho com fins e condições totalmente diferentes do trabalho forçado que existiu até hoje (a ação dos grupos que publicam na França, Socialisme ou Barbarie, na Inglaterra, Solidarity for the Workers Powers, na Bélgica, Alternative). Mas, a partir disso, os que põem todo o acento na necessidade de mudar o trabalho em si mesmo, de racionalizá-lo, de interessar as pessoas, tem o perigo, descuidando da idéia de conteúdo livre da vida (digamos, de um poder criativo equipado materialmente que se trata de desenvolver além do tempo de trabalho clássico - ele mesmo também modificado - assim como além do tempo de repouso e distração) de cobrir de fato uma harmonização da produção atual, um maior rendimento; sem que seja colocado criticamente o vivido mesmo da produção, a necessidade desta vida, na escala da contestação mais elementar. A construção livre de todo espaço-tempo da vida individual é uma reivindicação que deverá ser defendida contra todas as espécies de sonhos de harmonia dos candidatos a gerentes da próxima ordem social. Os diferentes momentos da atividade situacionista até hoje não podem ser compreendidos mais que na perspectiva da uma nova aparição da revolução, não só cultural, mas também social, e cujo campo de aplicação deverá ser imediatamente mais vasto que em qualquer uma de suas tentativas anteriores.
A Internacional Situacionista não tem pois que recrutar discípulos ou partidários, mas reunir pessoas capazes de colocarem a si mesmas esta tarefa nos anos que virão, por todos os meios e sem que importem as etiquetas. O que quer
dizer, de passagem, que devemos rechaçar, tanto quanto as sobrevivências das condutas artísticas especializadas, também as sobrevivências da política especializada; e particularmente o sadomasoquismo pós-cristão comum a tantos intelectuais neste terreno. Não pretendemos desenvolver apenas um novo programa revolucionário. Dizemos que este programa em formação contestará um dia, na prática, a realidade dominante, e que nós participaremos desta constestação. Seja como for que possamos chegar a ser individualmente, o novo movimento revolucionário não se fará sem ter em mente o que buscamos juntos; e que pode ser expresso como a passagem da velha teoria da revolução permanente restringida a uma teoria da revolução permanente generalizada.
Internacional Situacionista, 1961

5 de junho de 2007

CIDADE DE SÃO PAULO É REFÉM DOS CORONÉIS PM DA DITADURA!











Serra sucateia a prefeitura de São Paulo distribuindo Secretarias para coronéis PM e com Kassab vem ocorrendo a continuidade desse ato. Conforme matérias publicadas no Jornal da Tarde, dos dias 29 e 30 de maio de 2007, verbas são desviadas do município para a Instituição Estadual da Polícia Militar (Bombeiros Militares), com sucateamento da SAMU, comandada por Coronel PM.Coordenadoria da Segurança da GCM, comandada por coronel da PM, está promovendo a compra de materiais que a GCM não utiliza, mas que estão sendo utilizados pela Polícia Militar, caracterizando assim, desvio de dinheiro municipal.A Secretaria da Educação Municipal está sem segurança nas escolas, devido aos guardas estarem sendo retirados das escolas. Posteriormente são contratados (para dar pseudo-segurança), empresas de vigilância particular.Guardas foram retirados dos Parques Municipais (como o Parque do Ibirapuera) e Hospitais Municipais, onde foram contratados seguranças particulares.Os donos das empresas de segurança particular contratadas são coronéis da PM, sendo assim, eles recebem dinheiro da Prefeitura (com seus mega salários) e ainda por cima recebem dinheiro municipal para suas empresas de segurança.Ou seja, roubam o município inclusive com licitação fraudulenta direcionada para suas próprias empresas.Como uma Instituição criada no auge da ditadura (PM foi criada em 1970) continua existindo, após a ditadura teoricamente ter acabado no Brasil a mais de 20 anos? Como a maior arrecadação da América Latina diz não ter verbas, sendo que gasta milhões contratando empresas de vigilância desses coronéis PM (que são chefes de Secretarias Municipais e são os mesmos que estão sucateando a estrutura Municipal)?Os Coronéis PM estão no comando de varias secretarias municipais como: 1 - Coronel PM na Defesa Civil Municipal;2 - Coronel PM na Funerária Municipal;3 - Coronel PM na Secretaria de Esportes;4 – Coronel PM na Coordenadoria de Segurança Urbana5- e também em vários outros setores da Prefeitura de São Paulo.A cidade de São Paulo está refém do coronelismo da Polícia Militar (que usa a mesma estrutura e estratégia da época da ditadura).Kassab dá continuidade a essa estrutura de ladrões coronéis, e está acabando com a segurança, com a saúde, educação e etc. da maior cidade da América LatinaObs.: Cada um dos coronéis PM que assumem um cargo no município, trazem toda a sua comitiva (de mais PMs) para suas Secretarias, colocando- os em pontos estratégicos. Além do cabide de empregos (porque eles não são concursados pelo municipio), caracteriza mais que Improbidade Administrativa, caracteriza formação de quadrilha, porque estes mesmos coronéis estão roubando e destruindo toda a estrutura do Município de São Paulo.Por que isso tudo? Fazem contratos super faturados que giram em torno em torno de 5 a 7 mil reais por vigilante, sendo que um guarda custa menos de 1 mil reais (salário do guarda municipal).Alem do que, um vigilante não tem poder constitucional para atuar na segurança publica, coisa que um guarda municipal já tem. O treinamento de um guarda é muito maior e mais amplo do que um vigilante (que tem menos de 2 semanas de formação).Seguram as verbas para compra de equipamentos médicos, ambulâncias, contrato de enfermeiros para o SAMU, sendo repassadas estas verbas para os Bombeiros (da PM).Verificam-se estas mesmas situações onde existem Coronéis no comando de setores municipais.GASTA-SE MAIS PARA NÃO TER SEGURANÇA NENHUMA.Segundo a ONU, as polícias dos países devem ser Civís (pois policia militar é policia de forças armadas, como policia do exercito e policia da aeronáutica) e a segurança das cidades cabe a Polícia Municipal (civil).Só existem três países no mundo onde existe a Polícia é Militar, e todos são países que têm histórico de opressão ditatorial, incluindo o Brasil (o terceiro país).Como filiado a ONU, o Brasil tem o dever de cumprir suas normas, extinguindo a estrutura ditato

RENEGADO VIVE!!!!!!!